Maracá e Cunani
Estudo iconográfico resgata a história de antigas civilizações no Amapá
O legado das civilizações Maracá e Cunani está registrado em livro, CD e exposição.
Governo do Estado e Sebrae no Amapá lançam um registro iconográfico sobre as civilizações Maracá e Cunani, antigos povos que revelam tradições, crenças e um modo de vida muito particulares. O estudo O Legado das Civilizações Maracá e Cunani - O Amapá revelando sua identidade – mostra a história de povos que viveram no estado e aqui imprimiram uma identidade forte e, até então, desconhecida do povo amapaense.
A investigação dos conteúdos iconográficos, grafismos e simbolismos das cerâmicas encontradas nos sítios arqueológicos do Amapá, nas regiões de Cunani, município de Calçoene, e Maracá, município de Mazagão, revelam, por exemplo, a diversidade artística dos antepassados dessas regiões. A produção, uso e caracterização das urnas funerárias refletem os ricos processos sociais e culturais da época em que foram criados.
Iconografia significa descrição de imagens. É uma das ciências históricas mais
recentes. A arte iconográfica atualmente está vigente no mundo todo e o interesse pelos ícones tem feito ressurgir as antigas técnicas pelas mãos dos iconógrafos modernos.
Descobertas dessas regiões do Amapá estarão publicadas em livro e CD. Haverá também uma exposição, mostrando imagens dos sítios arqueológicos, um pouco da história, além dos produtos encontrados como réplicas de urnas funerárias. A exposição será aberta ao público na Fortaleza de São José de Macapá. Essa mostra será levada para Brasília, São Paulo e Estados Unidos nos próximos meses.
O Sebrae e o governo do Amapá iniciaram os estudos em 2003. Ao longo desses três anos, foram reunidos documentos entre imagens, ícones, objetos como urnas funerárias, vasos, alguidares, entre outros. Tudo encontrado em cavernas e enterramentos. “Em seus rituais de preservação, essas tribos depositavam nas urnas
os restos mortais, artefatos e roupas da pessoa falecida” , explica o consultor em
design, Cristiano Sales.
Ao escrever o prefácio das publicações, o governador do Estado, Waldez Góes, disse
que “a herança cultural identificada nos sítios arqueológicos Cunani e Maracá reflete a diversidade e habilidade artística desses povos, e muito contribuirá para o entendimento e esclarecimento desse período histórico, ao tempo em que promoverá redescoberta de nossas raízes” . Para o governador, o registro do legado desses povos é um trabalho
que revela a riqueza dessas culturas expressa em sua arte.
O empresário Jaime Nunes, presidente licenciado do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae, também assina o prefácio do livro e do CD. Foi em sua gestão no Sebrae que o estudo se iniciou. Para ele, “ essa pesquisa histórica é uma contribuição do Sebrae e do governo à redescoberta por parte dos setores produtivos do importante legado iconográfico contido em artefatos confeccionados pelas civilizações pré-coloniais Cunani e Maracá ”.
“A necessidade de preencher um hiato entre a época dessas civilizações e a ausência
da valorização do passado por parte das populações de hoje, despertou nos técnicos do Sebrae a idéia de buscar referências dessa cultura perdida, a fim de imprimir definitivamente uma identidade, uma marca, um legado cultural para o Amapá” , explica
o consultor Cristiano Sales na época colaborador do Sebrae.
O consultor lembra que foi em maio de 2002 na Feira de Artesanato de Curitiba, que a percepção da ausência de identidade cultural no Amapá se evidenciou e impulsionou a elaboração do projeto de resgate do legado Maracá e Cunani. “Até então, as pessoas confundiam a cerâmica do Amapá com as peças marajoaras do Pará. O Amapá não mostrava sua cara, nem consolidava sua imagem. Hoje, já se pode respirar com mais orgulho o sentimento de posse desse tão rico patrimônio, o qual vai desencadear novas oportunidades e sustentabilidade para as próximas gerações ”, lembra o consultor.
A arte dos Ícones
Os símbolos dessas civilizações poderão ser aplicados em artefatos e produtos, mas seu uso será regulamentado e só será permitido com orientação do Sebrae, que é a instituição licenciadora do uso dos elementos iconográficos.
Durante o evento de lançamento, foi realizado um desfile de bijuterias e cangas confeccionadas com as simbologias dessas civilizações. As bijuterias foram produzidas em quatro oficinas de design, realizadas durante duas semanas, no mês de abril deste ano, para artesãos dos segmentos de madeira, fibras, sementes e cerâmica. O desfile vai mostrar também ensaios de estampas dos grafismos em tecido para evidenciar as alternativas de aplicação.
O presidente em exercício do Conselho Deliberativo do Sebrae no Amapá e secretário especial de Desenvolvimento Econômico do Estado, Alberto Góes, entende que todo esse trabalho de resgate é uma viagem no tempo. “Estamos indo buscar no passado, com técnicas do presente, as referências que nos fazem abrir portas para o futuro. É a mistura da ciência com o conhecimento popular”, concluiu.
| Algumas imagens do estudo |

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